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SÍSIFO

serigrafia a partir de mail art brandpost - 2017

produzido por Gravuras no Brasil

Sísifo que empurra uma pedra até o alto da montanha, a pedra rola montanha abaixo, e novamente ele empurra a pedra: pêndulo.


Ir e voltar.
Sempre uma constante invariável.


Como um círculo.


E de certa forma também se aproxima, mais ao
menos (numa tradução ruim), de Rock in roll, ou
Rolling Stones.

Homenagem a Kounellis

em paralelo à 30ª bienal de são paulo (itinerante) - 1996

museu de arte murilo mendes - mamm/juiz de fora - mg

Homenagem a Kounellis surgiu ao ler entrevista de Jannis Kounellis em que afirma que usa certos materiais no trabalho, influenciado pela “vivência” em região portuária. 
 

E isso coincide com definição (dentre inúmeras) de que arte também pode resultar de “vivência e cultura”.
 

Na infância e adolescência vivi em bairro a contornar indústria de carbureto e ferro silício, e fiz desenhos daqueles fornos, além de ver os produtos resultantes nas fundições, e os materiais ali utilizados: cal, carvão, pedra cristal, sucata... (e sempre usei essas matérias em instalações ou objetos).

Daí minha fascinação por fundições não especializadas em obras de arte, e que geram cópias ou próteses precárias, arcaicas reproduções...  O que possibilita,

por ironia, remeter a Walter Benjamin: “A obra de arte na época de suas técnicas de reprodução”.
 

E são reproduções, além do molde original, a base desse trabalho: 10 reproduções em alumínio fundido em 1996, uma reprodução fotográfica, e plotagem do “esboço/projeto” da obra.
 

Portanto, treze objetos formam o conjunto dessa instalação. 

No Atrito Das Pedras

NO ATRITO DAS PEDRAS vem de “uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” (Glauber Rocha), e foi gravado na seqüência do roteiro, sem edição posterior, e incorporando ao resultado os defeitos de produção precária. Portanto, é “videogambiarra”.

                                                                              

Reflexos de 1991, sem o digital de hoje. E na impossibilidade do vídeo profissional, foi “feito em casa” em VHS doméstico, quase artesanal, auxiliado por amigos.

E surgiu da necessidade de vídeo para individual no Itaucultural de Belo Horizonte, mais voltado à reflexão ou crítica; dados que orientaram o roteiro: - reunião de imagens de trabalhos realizados; referências às munições que estimulam a obra; e estratégias para alinhavar conteúdos ou provocar discussão.

Textos, cinema, arte, linguagens diversas (desenho, pintura, objeto, instalação, fotografia, etc) em diálogo ou confronto no mesmo espaço... Enfim, possibilidades a se chocarem na tentativa de produção de faíscas: “NO ATRITO DAS PEDRAS”.

 

Que logo se anuncia na cena inicial, ao se atritar pedras, ao som de música vocal e ritual dos índios Suyá. Natureza e cultura a reverberarem “o diabo na rua no meio do redemunho” (Guimarães Rosa), naquela efervescência de choques de idéias e ideais no ato criativo. Como fósforos, contínuos, em acende e apaga.

 

E esse “acende e apaga” é o recurso a conduzir as imagens de NO ATRITO DAS PEDRAS: canais de TV sendo trocados; intervalos na projeção de slides; ruídos intercalados dos aparelhos... Elos na convivência e oposição de conceitos e referências: Anémic Cinéma. Duchamp. Buñuel. Dali. Welles. Mario Peixoto...

 

“uma corrente bem emendada não mostra marcas; só quem sabe”

 

Enfim, NO ATRITO DAS PEDRAS não se traduz em simples documentário sobre minha obra; mas, também, é um produto do próprio trabalho, com estruturas de seu processo: pindaíba, paliativo, maltrapilho, molambo, pinguela... videogambiarra.  

 

E seu roteiro original também é mais uma obra em meu processo de trabalho e, em 2000, publiquei esse roteiro no livro “César Brandão – Peças de Laboratório ou Ao Fogo dos Deuses” (edição esgotada).

 

“O ruído persegue”, e o puído prossegue: ecos e reflexos da própria obra.